Plano de Renan Santos prevê ampliar ferrovias e dobrar investimentos em infraestrutura no Brasil
Programa de Renan Santos prevê 40 mil km de ferrovias, novas concessões, expansão de portos e investimentos em infraestrutura no Brasil.

Estamos apresentando os planos de governo dos candidatos à Presidência do Brasil com foco nas propostas para transporte e mobilidade urbana. Nesta matéria, o destaque é o programa de Renan Santos, do Partido Missão. O documento analisado é o resumo executivo do Livro Amarelo e concentra suas principais propostas de transporte no programa “Missão Rondon”, que pretende elevar os investimentos brasileiros em infraestrutura dos atuais cerca de 2% para pelo menos 4% do PIB, combinando recursos públicos, concessões e parcerias público-privadas.
Nas ferrovias, Renan estabelece uma das metas mais objetivas do plano: ampliar a malha brasileira para pelo menos 40 mil quilômetros. Entre os projetos citados estão a conclusão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), o início imediato das obras da Ferrogrão, a viabilização da Ferrovia Transoceânica e a conclusão antecipada da Ferrovia Alcântara-Açailândia. O programa também prevê expansão de portos no Norte e Nordeste, modernização da frota naval e melhoria da infraestrutura dos aeroportos regionais, principalmente para ampliar a conectividade da Região Norte.
Para viabilizar os investimentos, o plano propõe ampliar concessões, PPPs e autorizações ferroviárias, além de capacitar órgãos municipais para elaborar e fiscalizar projetos e acelerar o licenciamento de empreendimentos estratégicos. A mobilidade elétrica também aparece na política industrial, com a proposta de criar em Aratu-Camaçari, na Bahia, um polo voltado a baterias, semicondutores e mobilidade elétrica. Na organização das cidades, o partido propõe ainda autoridades multimunicipais e uma política de desfavelização que prevê direcionar recursos habitacionais para imóveis em áreas urbanas já estruturadas.
Apesar do detalhamento sobre infraestrutura logística, o resumo executivo apresenta poucas propostas diretamente voltadas ao passageiro do transporte coletivo. Não são definidas metas específicas para expansão de ônibus urbanos, BRTs, metrôs ou trens metropolitanos, nem políticas próprias para tarifas, subsídios à operação, integração tarifária ou renovação das frotas de ônibus. Também não aparece um programa específico para ciclovias e deslocamentos a pé. Assim, o plano de Renan Santos é mais detalhado sobre ferrovias, portos e grandes obras de infraestrutura do que sobre a mobilidade cotidiana dentro das cidades.
Isaac Daniel
Isaac Daniel Garcias é gestor de conteúdo digital e formado em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana. Atua em plataformas online voltadas ao transporte público e à mobilidade urbana, produzindo informações claras e acessíveis para quem depende do deslocamento diário nas cidades brasileiras.
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