Estudo ligado à USP aponta falta de infraestrutura para pedestres em 88% das rotas avaliadas em São Paulo
Estudo ligado à USP encontrou falta de infraestrutura para pedestres em 88% das rotas avaliadas em São Paulo. Veja os principais problemas.

A mobilidade a pé em São Paulo ainda enfrenta problemas básicos de infraestrutura, especialmente para quem precisa caminhar no dia a dia para chegar ao trabalho, comércio ou transporte público. Um estudo publicado pela Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), com participação de pesquisadores da USP e de outras instituições, encontrou falta de infraestrutura para pedestres em 88% das rotas avaliadas e ausência de atributos de acessibilidade em 69,7% delas.
A pesquisa analisou o entorno dos endereços de 1.434 adultos da capital paulista, considerando trajetos de aproximadamente 400 a 700 metros. Entre as principais dificuldades estão problemas nas calçadas, falta de estrutura adequada para caminhar, poucas facilidades destinadas aos pedestres e deficiências em elementos de acessibilidade. Em 49,3% das rotas estavam ausentes as facilidades para pedestres. Outro resultado chama atenção: apenas 0,1% das rotas não apresentava características negativas relacionadas às calçadas, indicando que algum tipo de problema estava presente em praticamente todos os trajetos analisados.
As condições também mudam de acordo com a região e com o perfil socioeconômico da população. O estudo encontrou melhores resultados no entorno das residências da região Centro-Oeste, enquanto áreas mais afastadas apresentaram condições inferiores. Pessoas com maior escolaridade e que se declararam brancas ou amarelas viviam, em média, em locais com melhores condições de calçadas, cruzamentos, arborização, estética e acessibilidade. Já pessoas com menor escolaridade e pretas ou pardas estavam mais expostas a ambientes com piores condições para caminhar.
Na prática, os problemas atingem também quem utiliza ônibus, metrô ou trem, já que boa parte das viagens no transporte público começa e termina a pé. Calçadas inadequadas, travessias deficientes e falta de acessibilidade tornam mais difícil chegar a pontos e estações, principalmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Os pesquisadores defendem políticas urbanas mais inclusivas e maior atenção às áreas socialmente vulneráveis, com prioridade para um planejamento que distribua melhores condições de mobilidade a pé pela cidade.
Isaac Daniel
Isaac Daniel Garcias é gestor de conteúdo digital e formado em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana. Atua em plataformas online voltadas ao transporte público e à mobilidade urbana, produzindo informações claras e acessíveis para quem depende do deslocamento diário nas cidades brasileiras.
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